Turquia e a religião – Para saber, antes de viajar

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Este post é especial para você que tem curiosidade sobre cultura turca e quer obter informações a fim de planejar melhor a sua viagem à Turquia.

Quando falamos sobre religião na Turquia, entendemos como as crenças são determinantes no comportamento de um povo.

Considerando aspectos comuns e históricos, esperamos esclarecer as dúvidas mais recorrentes.

Vamos lá?

Turquia e a religião – O Estado  laico na Turquia

Mesquita Azul localizada no bairro de Sultanahmet, em Istambul.

Embora a população da Turquia seja de maioria muçulmana, as práticas associadas a religião não são obrigatórias no país.

A Turquia é o único país de maioria muçulmana cujo o estado é laico.  O Estado turco é oficialmente secular desde 1923, ou seja, governo e religião não se misturam.

Ainda que segundo a constituição não exista religião oficial na Turquia, cerca de 99% da população turca se declara muçulmana.

Sendo o islã a religião predominante na Turquia as estatísticas se completam com a minoria de cerca de 1% da população que é constituída por cristãos e judeus.

Na prática, não existem leis que obriguem o cidadão turco muçulmano a cumprir rotinas e padrões relacionados ao islã.

Turquia e a religião – Os judeus na Turquia 

Monte Ararate, localizado na região leste da Anatólia, na Turquia.

 O território hoje chamado, Turquia, foi palco de muitas passagens descritas na Torá (Livro Sagrado dos Judeus). Como exemplo e segundo o livro do Gênesis, a Arca de Noé encalhou nas “Montanhas do Ararate”

Estudiosos da religião acreditam que os descendentes de Noé tenham se espalhado pela região da Anatólia, na Turquia.

Outra teoria curiosa diz respeito às recentes descobertas arquelógicas na região de Sanliurfa.  Achados nas ruínas do templo mais antigo do mundo levam a crer que o Jardim do Éden estaria localizado na Turquia. Trata-se de Gobekli Tepe, o sítio arqueológico com mais de 10 mil anos que foi recentemente aberto à visitação.

O sítio arqueológico de Göbeklitepe na cidade de Sanliurfa, na Turquia.

Gobekli Tepe situa-se entre as nascentes dos rios Tigre e Eufrates, o que praticamente coincide com a localização bíblica do Eden.

Segundo o texto assírio, Beth Eden (a casa do Éden) estaria a menos de 100 km de Gobekli Tepe.

Turquia e a Religião – Os judeus no Império Romano

Mosaico de Jesus Cristo na Igreja Salvador em Chora (Kariye Müzesi) – Istambul

Com a divisão do império Romano entre Ocidente e Oriente no final do século IV, a parte oriental foi denominada Império Bizantino. Por consequência, a capital do novo império passou a se chamar Bizâncio, e posteriormente Constantinopla (cidade do Imperador Constantino).

Constantinopla representava a fortaleza e o alicerce do cristianismo, religião oficial do império Romano.

Durante todo o período em que o Império Bizantino esteve no poder (do século IV ao século XV) os judeus foram duramente discriminados e viviam a margem da sociedade cristã.

A situação dos judeus foi modificada com a tomada de Constantinopla pelos Otomanos, em 1453.

Sob o domínio otomano islâmico, tanto judeus como cristãos passaram a usufruir de certa proteção do estado que lhes condeceu alguma autonomia e liberdade religiosa.

Porém, mesmo com algumas concessões, judeus e cristãos eram considerados uma classe inferior.

Para os judeus, viver sob às ordens do regime otomano era infinitamente melhor do que estar sob o jugo do Império Romano.

No ano de 1492 ocorreu o maior movimento de imigração dos judeus que, expulsos da Península Ibérica foram acolhidos pelo Império Otomano.

Achados em ruínas nas cidades de Sardes, Bursa e Ancara demonstram que os judeus na Turquia pertencem a uma das comunidades mais antigas do mundo.

 

Interior da sinagoga de Nev Shalom no bairro de Beyoglu, em Istambul.

Atualmente a minoria de judeus se concentra em Istambul e Izmir (antiga Esmirna). Este grupo é formado por sefarditas, descendentes de judeus espanhóis e por asquenazes, judeus que falam alemão e vindos de países como Áustria e Hungria.

As sinagogas nos bairros judeus estão sob proteção do governo, assim como cemitério e prédios que constituem patrimônio histórico.

A Turquia, é o país de maioria muçulmana que contribui efetivamente para a Aliança Internacional da Memória do Holocausto.

Turquia e a Religião – Um dos  berços do cristianismo

Imagem do interior da Casa de Maria. A última morada de Maria, mãe de Jesus, está localizada em Selcuk, na região de Izmir.

 A Turquia é considerada um dos berços do cristianismo. Muitos cristãos perseguidos fugiram para a Ásia Menor, e se estabeleceram em cidades como Hierápolis, arredores de Éfeso e Capadócia.

O apóstolo Pedro fundou a primeira igreja cristã em uma caverna, na cidade de Antioquia (atual Antakya, na província de Hatay).

De acordo com o livro de Atos dos Apóstolos, Paulo realizou três diferentes incursões missionárias à Turquia.

O movimento cristão na Capadócia foi fundamental para a rápida propagação da doutrina. A proximidade da região com às sete igrejas da Ásia menor, dentre elas Éfeso, Esmirna e Tiatira facilitou o maior alcance. Nestas regiões pregaram os apóstolos, Paulo, André e João Evangelista.

Constatamos a importância do movimento cristão primitivo na Capadócia, pela quantidade de igrejas e mosteiros na região.

O Museu ao Ar Livre está localizado na cidade de Goreme, na Capadócia.

O Museu ao Ar Livre de Goreme, que concentra a maior parte destas igrejas rupestres, é Patrimônio da Humanidade reconhecido pela UNESCO desde 1984.

Imagem de São Jorge em igreja caverna no Museu ao Ar Livre de Goreme – Capadócia

São Gregório de Nazianzo, Gregório de Nyssa e São Basílio, são importantes teólogos nativos da região Capadócia. São Jorge da Capadócia foi o militar martirizado por defender cristãos.

Outro fato importante é que os primeiros concílios foram realizados em Constantinopla, (atual Istambul) e Niceia (atual Iznik), na Turquia.

Atualmente existe uma minoria cristã formada por católicos apostólicos e cristãos ortodoxos, descendentes de gregos e armênios e ainda cristãos sírios refugiados. Os cristãos na Turquia vivem em várias regiões do país, assim como existem igrejas em diferentes cidades.

Igreja de Santo Antonio de Pádua no bairro de Taksim – Istambul

Istambul concentra grande parte destas igrejas e uma delas, bem popular, é a Catedral de Santo Antônio de Pádua, localizada no bairro de Taksim.

Em 2015 o governo turco anunciou pela primeira vez, a construção de uma nova igreja na cidade de Istambul, a primeira desde a proclamação da república da Turquia em 1923.

A nova igreja será construída nos arredores do aeroporto Internacional de Ataturk e deverá acomodar cerca de 700 fiéis. A construção da nova igreja em Istambul será financiada por uma fundação que defende os direitos dos siríacos ortodoxos e católicos.

Várias igrejas foram restauradas na Turquia e reabertas, como é o caso da Igreja de Ferro (A Igreja de Santo Estevão ou Igreja de Sveti Stefan).

Igreja de Ferro ou Igreja de Santo Estevão, localizada no bairro de Balat, em Istambul

Localizada no Bairro de Balat a igreja bulgara de Santo Estevão é a única igreja do mundo edificada com ferro (cerca de 500 toneladas).

A restauração da Igreja de Ferro, construída no século XIX, custou cerca de 4 milhões e meio de dólares que foram pagos em grande parte, pelo estado turco.

Turquia e a Religião – O Islamismo na Turquia

Istambul
A Mesquita Azul (Sultanahmed Camii) é a única com seis minaretes, considerada o templo mais importante de Istambul.

O Islamismo é a prática do Islã, religião fundada pelo profeta Maomé, sua principal figura de referência.

Para seus seguidores, Maomé trouxe à luz os verdadeiros ensinamentos dos profetas anteriores, Moisés e Jesus.

Coube à Maomé  a missão de reformular pensamentos e condutas cuja pureza e moral teriam sido corrompidas ao longo dos séculos.

O livro sagrado do Islã é o Alcorão ou Corão, escrito por Maomé e recebido por meio de revelações, ao longo de 22 anos.

O Alcorão ou Corão é o livro sagrado dos muçulmanos.

O Alcorão contém as diretrizes que norteiam a vida dos muçulmanos (seguidores do Islã) e para estes, representa a palavra de Alá (Deus).

Seu conteúdo mostra a relação entre Deus e sua criatura assim como diretrizes para uma sociedade justa, uma conduta mais adequada para o ser humano e um sistema econômico mais igualitário.

Preceitos da fé no Islam:

  • A crença em Alá como Deus criador de todas as coisas
  • Acreditam nos anjos como criaturas divinas
  • Creem nos profetas, sendo Maomé o principal
  • Crença no Alcorão como sendo a palavra de Deus revelada e escrita
  • Crença no dia do julgamento final e em uma vida futura
  • Acreditam na predestinação

5 pilares do Islam:

Os cinco pilares são considerados a estrutura da vida muçulmana. São eles:

  • Fé em Alá e em Maomé, seu mensageiro;
  • Oração que deve ser realizada cinco vezes durante o dia, voltados para Meca
  • Preocupação com os necessitados, e dízimo estimado em 2,5% ao ano
  • Autopurificação, através do jejum no Ramadã, do amanhecer ao anoitecer, abstendo-se de comida, bebida e relação sexual;
  • Toda pessoa capaz, deve, pelo menos uma vez na vida, ir à Meca (cerca de dois milhões de muçulmanos fazem essa peregrinação todos os anos).

A oração para o muçulmano

A oração é um dos cinco pilares do islamismo, ou seja, um dos preceitos de devoção.

Os muçulmanos fazem cinco orações por dia para evitar a tentação e para purificar seus corações.

Para as orações diárias existe o chamado emitido pelas mesquitas (ezan), que é ouvido por todos, em horários específicos.

Muitos optam por interromper suas atividades, recolhem-se às suas casas ou visitam as mesquistas para fazer suas orações.

Algumas das expressões utilizadas nas orações:

“Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso:”

“Louvado seja Deus, Senhor do Universo,”

“Só a Ti adoramos e só de Ti imploramos ajuda;”

“Guia-nos à senda reta”

“À senda dos que agraciaste, não à dos abominados, nem à dos extraviados”

A alimentação segundo o Islã:

 O Alcorão determina o que deve ser consumido (Helal) e o que não se deve consumir (Haram).

É proibido o consumo de carne de porco e bebida alcoólica, porém na Turquia, existe a venda de bebida alcoólica em lojas de conveniências, bares e restaurantes nas zonas turísticas.

Também é possível comprar carne de porco na sessão de importados de supermercados de redes internacionais.

O que você deve ou não deve fazer durante sua visita a Turquia:

O povo turco, de maneira geral é extremamente acolhedor com o turista, tenha ele qualquer credo ou venha de qualquer parte do mundo.

Portanto, você não deve se preocupar demasiadamente com costumes e questões religiosas, sendo apenas turista.

Seguindo algumas recomendações você vai  evitar possíveis constragimentos e realizará sua visita ao país com maior tranquilidade:

Vista-se apropriadamente quando for visitar mesquitas. Apesar do país não ser conservador e não determinar uso obrigatório de vestimentas (como acontece em outros países islâmicos) é importante respeitar os locais de culto.

Para visitar mesquitas você deve cobrir seus braços e pernas (homens e mulheres).  As mulheres também devem cobrir a cabeça, ombros e colo.

Mulheres podem e devem se vestir confortavelmente, mas convém evitar decotes profundos ou roupas muito curtas.

Na Turquia, casais não se beijam ou se abraçam em público. Demonstrações explícitas entre casais não são bem vistas.

 A influência da religião no modo de vida na Turquia

O uso do hijab não é obrigatório na Turquia.

O maior ou menor rigor no modo de vida do muçulmano da Turquia é proporcional a devoção e a observação das regras do Corão, ou Alcorão (livro sagrado do Islã).

Atender ao chamado das mesquitas 5 vezes ao dia para as orações, frequentar mesquitas às sextas-feiras e até mesmo fazer o jejum no mês do Ramadã, são comportamentos facultativos para parte da população muçulmana na Turquia.

É comum no cotidiano das cidades na Turquia, mulheres usando véu, outras usando roupas da moda, algumas usando o hijab com longos vestidos.

Mulheres que usam burca ou niqab são minoria na Turquia e pertencem a famílias religiosas muito tradicionais.  Dentre esta minoria também encontramos imigrantes, vindas de outros países islâmicos.

Esperamos que este artigo tenha sido útil para você.

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KLEOS

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